terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A Mochila estampada de Borboletas

Hoje ia no comboio (coisa rara) e, quando parámos numa das estações, avistei com agrado, uma papelaria que já existe desde que eu era pequena.

Lembro-me de ir com a minha mãe comprar a minha primeira mochila. Estavam todas penduradas cá fora, á porta dessa papelaria. Olhei, e rapidamente escolhi a minha preferida. A minha mãe fez sinal á dona da loja, e ela veio com um gancho comprido, retirou a mochila e entrou com a minha mãe para fazerem o negócio.
Fico do lado de fora, quando vejo chegar uma menina da minha idade, trazendo a mãe pela mão. Olha em volta para as mochilas e exclama triste: Ooh... Já cá não está...!
Ela estava a falar da minha mochila. A mochila de fundo azul clarinho, estampada de borboletas rosa.
Lembro-me que disse mentalmente Bem feita! Senti-me superior, senti prazer com a tristeza dela.

Este episódio já passou pela minha mente por diversas vezes, mas só hoje, ao passar de comboio e reparar naquela pequena papelaria, olhei para a situação de modo diferente. Pela primeira vez, senti compaixão da decepção e tristeza que a menina deve ter sentido. O desânimo de escolher a sua mochila preferida (possivelmente para o seu primeiro dia de escola, como eu), e de voltar e já não a encontrar.
Só hoje, 25 anos volvidos, pensei na menina com carinho. Só hoje, pensei na menina com uma mente madura.

E desculpa...

8 comentários

  1. Olá Carla,

    É fascinante como os sentimentos se podem modificar com o passar dos anos.

    Bjs,
    MJ

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  2. olá Carla!

    É incrível como pequenas passagens da nossa vida nos marcam profundamente... E ainda bem que, conforme vamos crescendo, não olhamos só para o nosso umbigo... bj e parabéns pelo blog!

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  3. Tânia, tu entendeste-me bem ;)

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  4. Nada como a maturidade, por isso estou amando ficar mais velha ou melhor mais madura. A gente ver a vida com outros olhos. Beijos Eliane

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  5. Carla,

    Estou quase a fazer 39 anos. Já consigo não ficar amuada quando me dizem não, lido melhor com os fracassos do dia-a-dia e consigo desculpar quem me magoa. Mas também posso dizer que a partir dos 35 fiz coisas que também acompanharam o meu crescimento.
    Será a ternura dos quarenta?!

    Beijinhos

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  6. Eliane, tens toda a razão. A cada ano que passa, vemos a vida com outros olhos.

    libelinha, por coincidência ou não, penso que cada década é um marco importante. Eu estou, aos 30, a olhar para a vida de uma forma totalmente diferente do que olhava há poucos anos atrás. Só agora, quando me olho ao espelho, é que vejo no reflexo, uma mulher. Uma mulher que sou eu.

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  7. Oi Carla, desculpa só poder comentar agora...

    Eu também tive, e tenho ,muitas vezes esse tipo de
    sentimento, será o meu lado mau? Depois fico como tu arrependida.):

    A tua mochila era muito bonita, a minha (que me lembre) era vermelha e bem grande - acho que ninguém a cobiçava...

    Beijinhos da Formiguinha

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